Dr. Sebastião Ferreira | CRM 11294 PA | Pediatria RQE 6090

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Febre em crianças: quando se preocupar e o que os pais devem fazer

A febre é um dos motivos mais frequentes de preocupação entre os pais. Basta o termômetro marcar uma temperatura mais alta para surgirem dúvidas: será que é grave?

Preciso correr para o hospital? Tenho que baixar a febre imediatamente? A boa notícia é que, na maioria das vezes, a febre faz parte da resposta natural do organismo contra infecções, principalmente as causadas por vírus. Saber interpretá-la e observar a criança como um todo ajuda a enfrentar esse momento com mais segurança.

O que é a febre?

A febre não é uma doença, mas um sinal de que o organismo está reagindo a algum processo, geralmente uma infecção. Ela acontece porque o centro regulador da temperatura, localizado no cérebro, eleva temporariamente a temperatura corporal como parte da resposta do sistema imunológico contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.

Na prática, considera-se febre quando a temperatura está elevada de acordo com o local de aferição. Segundo o consenso mais recente da Sociedade Brasileira de Pediatria, temperaturas axilares a partir de 37,5 °C já podem justificar o uso de antitérmico quando a criança apresenta desconforto clínico.

Mais importante do que o número do termômetro é avaliar como a criança está. Uma criança com 38,5 °C brincando, hidratando-se e interagindo costuma preocupar menos do que outra com temperatura mais baixa, mas muito abatida, sonolenta ou com dificuldade para respirar.

Por que as crianças têm febre com tanta frequência?

Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda está amadurecendo. Por isso, é comum que as crianças tenham contato frequente com diferentes vírus e bactérias, principalmente quando começam a frequentar creches e escolas.

Resfriados, gripes, otites, amigdalites e gastroenterites estão entre as causas mais comuns de febre. Felizmente, a maioria desses quadros é benigna e melhora apenas com hidratação, repouso e acompanhamento adequado.

A febre faz mal?

Essa é uma das maiores dúvidas dos pais. A resposta é: na imensa maioria das vezes, não. A febre decorrente de infecções comuns não causa lesão cerebral. O principal objetivo do tratamento não é normalizar o número do termômetro, mas aliviar o desconforto da criança.

Se ela está prostrada, irritada, com dor ou sem conseguir descansar, o pediatra poderá orientar o uso de antitérmicos. Eles são indicados para melhorar o bem-estar, e não apenas para reduzir a temperatura.

Também é importante lembrar que febre alta não significa necessariamente doença grave. Da mesma forma, doenças potencialmente sérias podem cursar com febre baixa ou até sem febre. Por isso, sempre digo aos pais: olhem primeiro para a criança e depois para o termômetro.

Como medir corretamente?

Prefira termômetros digitais e siga as orientações do fabricante quanto ao local da aferição. Evite medir a temperatura logo após banho quente, atividade física intensa ou quando a criança estiver muito agasalhada, pois essas situações podem interferir temporariamente no resultado.

O que fazer quando a criança está com febre?

Ofereça líquidos com frequência, mantenha roupas leves, deixe o ambiente agradável e incentive o repouso. Se houver desconforto, utilize o antitérmico prescrito pelo pediatra na dose correta para a idade e o peso.

Evite alternar medicamentos por conta própria. Banho morno pode proporcionar conforto em alguns casos, mas banho frio e álcool sobre a pele não são recomendados.

Vale lembrar que grande parte das febres na infância é causada por vírus. Nesses casos, antibióticos não trazem benefício e só devem ser utilizados quando houver indicação médica.

Quando procurar atendimento médico?

Procure avaliação imediata se o bebê tiver menos de três meses e apresentar febre; se houver dificuldade para respirar, convulsão, sonolência excessiva, manchas na pele, sinais de desidratação, dor intensa, recusa persistente de líquidos ou se a febre persistir por vários dias ou retornar após um período de melhora.

Convulsão febril

Embora assuste bastante, a convulsão febril costuma ser benigna e ocorre principalmente entre seis meses e cinco anos de idade. Na maioria das vezes dura poucos minutos e não significa que a criança tenha epilepsia.

Durante o episódio, mantenha a calma, coloque a criança de lado, afaste objetos que possam machucá-la e procure atendimento médico, especialmente se for a primeira convulsão ou se o episódio tiver características incomuns.

Uma mensagem para os pais

A febre faz parte da infância e, na maior parte das vezes, representa apenas que o organismo está trabalhando para combater uma infecção. O termômetro fornece uma informação importante, mas nunca deve ser analisado isoladamente.

O comportamento da criança, sua hidratação, sua disposição e a evolução do quadro são muito mais importantes na tomada de decisão. Em caso de dúvida, procure sempre o pediatra. Informação de qualidade e acompanhamento adequado são as melhores ferramentas para cuidar da saúde das crianças com tranquilidade.

Foto de Sebastião Ferreira

Sebastião Ferreira

Dr. Sebastião Ferreira é médico pediatra dedicado ao cuidado integral da saúde infantil, com atuação clínica e hospitalar em Belém-PA. Possui Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e formação em gestão em saúde, tendo concluído MBA em Gestão e Saúde pelo Insper em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein (São Paulo).
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